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Fair Trade na prática

Fazendo do Sonho uma Realidade

José Ferreira e Elza Castro são um daqueles casais que foram feitos um para o outro.

Casados há 24 anos, sempre terminam as frases um do outro e concordam em quase tudo.

Mesmo quando isso não ocorre, riem do desacordo. Como por exemplo, o que fazer com o dinheiro que conseguiram com a colheita de café deste ano.

Ele quer liquidar todos os débitos e investir nos negócios de café que tem gerenciado há mais de 20 anos. Ela quer tirar algumas semanas de folga e conhecer o mundo.

“Meu sonho é entrar em um avião no Brasil e pousar em Paris” diz Elza. “E de lá ir para Roma, Portugal, Madrid...”

Para dizer a verdade, José e Elza podem viajar e investir nos negócios. José produziu 252 sacas de café em 2008 e de boa qualidade. Ele espera faturar ao menos 30.000 reais em vendas.

Além disso, está esperançoso em vender Fair Trade pela primeira vez após alcançar a certificação em Maio, junto com os outros membros da Pequena União de Produtores de Café Martins, ou UNIPCAFEM.

A associação está localizada nos Martins, uma pequena comunidade no sul de Minas que é famosa pelos imigrantes Italianos que vieram para cá no século XIX. Abençoados por um solo fértil e excelente clima para o cultivo do café, a associação começou em 2005 e conta com 53 agricultores associados que possuem uma média de 15 hectares.

Embora os primeiros agricultores ainda venderão seus cafés Fair Trade, os associados da UNIPCAFEM entusiasticamente abraçaram o conceito de Fair Trade e os serviços comunitários que o prêmio pode fornecer.

Elza e José estão se adaptando.

“O lado ambiental foi fácil para ele, o lado organizacional é que foi mais difícil. O lado das coisas é que ele me enviou.” disse Elza, gentilmente provocando-o por sua falta de astúcia administrativa. “Tive que parar de fazer meus queijos, bolos e pães para tomar nota de tudo.”

“E adorei fazer isto. Quero ensinar as outras esposas a se livrarem dos fornos e ajudá-las a compreender sobre o assunto. Muitas pessoas vão achar isto difícil porque elas não possuem uma educação básica ou conhecimento.”

A cooperativa já organizou palestras para ajudar os associados a entender o que é Fair Trade e muitas pessoas já falaram da importância de conhecer os procedimentos da Organização. Não apenas isto, mas o comitê organizacional das cooperativas também discutiu como utilizar o primeiro prêmio Fair Trade.

O presidente Guido Reguim Filho disse que eles planejam usar seus capitais na construção de um armazém para que os associados evitem ter que alugar espaços vizinhos. Com um custo de 50.000 reais, eles esperam que seus associados economizem 125.000 reais por ano em aluguel.

Graças ao patrocínio de uma companhia local de eletricidade, eles já organizaram uma central tecnológica em conjunto com uma escola. “As crianças me perguntam todos os dias se eles podem usar os computadores.” disse a professora Mayara Reguim – e o que a UNIPCAFEM espera será o primeiro de muitos projetos educacionais criados com os recursos da Fair Trade.

“Esta é a jóia de nossa coroa.” comenta Reguim Filho assim que viu 10 meninos e meninas sentados em frente às telas dos computadores.

Elza e José estão dando suas contribuições na associação. Enquanto ele trabalha na terra, ela está ajudando a organizar uma festa especial para celebrar o fato deles terem sido premiados com a certificação. Elza, advogada, está preparando uma placa especial para expor no prédio da cooperativa, enquanto Elza, a esposa, vai cozinhar para a celebração. Elza, a viajante global, está pensando nos frutos de seus trabalhos, apesar de estar desapontada com a teimosia de seu marido.

Enquanto ela sonha em ver o Velho Mundo, seus pés estão firmemente plantados no solo brasileiro.

“Precisamos investir nos negócios,” José disse a sua esposa quando ela mencionou em gastar parte do dinheiro em viagens. “Se comer sua galinha, amanhã não terá ovos e para ser sincero prefiro comer ovos todos os dias que galinha uma vez.”

© Café Bom Dia    Share